quinta-feira, 14 de março de 2013

The New World Luxury – Gilles Lipovetsky

Recentemente, o Brasil recebeu uma das maiores referências no mercado de luxo: Gilles Lipovetsky - filósofo francês, autor de importantes textos e livros sobre o luxo, o consumo e a sociedade.

Com curadoria da Luxo Brasil, Gilles esteve presente em São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Balneário Camboriú e, por fim, no Rio de Janeiro, em 4 de março.


O Instituto Rio Moda foi um dos apoiadores do evento, que foi realizado no Hotel Santa Teresa. No início da palestra, Gilles relembrou como o luxo se apresentava nos seus primórdios, através das festas genuinamente nababescas. E continuou apontando as várias mudanças ocorridas em sua forma e conteúdo, assim como descreveu em seu incrível livro “O luxo eterno”.

Um dos mais importantes marcos ocorreu no mundo da moda durante o século XIX. Antigamente, os costureiros produziam as peças sob medida e mediante encomenda das clientes. Com o tempo, os costureiros mudam seu papel de técnicos, executores, para criadores e artistas.

De 30 anos para cá, muitas foram as transformações na indústria do luxo, assim como dos seus consumidores e seus hábitos de compra. Este momento anterior é chamado por Gilles como luxo moderno e, hoje, como luxo hiper-moderno, ou luxo contemporâneo.

No luxo moderno, existia um modelo único de luxo, bem definido, que oferecia produto e serviço raro e muito caro, restrito a pouquíssimas pessoas. Já o luxo contemporâneo, segundo Lipovetsky, é mais complexo, e se caracteriza por vários luxos, coexistindo produtos e serviços muito caros, com os semi-acessíveis e até os acessíveis. E, portanto, aberto a um maior número de indivíduos.


Sua palestra foi dividida em duas partes: inicialmente focada nas mudanças da indústria (de luxo) e, posteriormente, nas mudanças dos consumidores:

MUDANÇAS NA INDÚSTRIA DO LUXO

Globalização – Da exclusividade para a explosão

Com a globalização, crescimento da classe média e importância econômica no cenário mundial dos países emergentes, as marcas de luxo passaram a expandir suas operações. As maisons, que inicialmente concentravam-se na Europa (principalmente França e Itália), hoje podem ser encontradas no mundo todo.

Esse boom na quantidade de lojas também implicou em uma grande necessidade de adaptação aos novos mercados. No Brasil, um exemplo muito claro disso é a instalação de operações de luxo dentro de shopping centers. Essa situação se difere muito da realidade europeia, onde essas marcas prezam por manter maisons super luxuosas em espaços próprios. E, além de próprios, esses espaços normalmente são prédios, todos decorados (interna e externamente) e pensados de acordo com a imagem almejada pela marca. São prédios muito charmosos que abrigam além da própria loja, escritórios da companhia.


Relação ARTE X LUXO e o TEMPO

No luxo moderno, a arte influenciava uma criação de luxo. Como exemplo muito conhecido, o vestido de Yves Saint Laurent, inspirado em Mondrian. Entretanto, a abordagem mudou e a relação da arte com o luxo agora é outra.

Hoje em dia, o luxo não só integra a arte, mas vai além disso. No luxo hiper-moderno, as companhias realizam verdadeiras estratégias de Marketing em relação aos artistas. Podemos observar marcas convidando importantes artistas, designers, arquitetos e decoradores para criação da decoração de suas lojas, de suas vitrines, ou mesmo de suas coleções... demonstrando a consagração artística de marcas de luxo.

Outro exemplo dessa relação atual é o prédio da loja Louis Vuitton na Champs Elysée, em Paris. No seu último andar, é possível apreciar uma galeria de arte. Mas, calma! Neste espaço, os objetos de arte não são vendidos, apenas para ser apreciado. Na LV, vende-se produtos de luxo.  Afinal, o que ganham com isso? A associação de seus produtos com a arte!

Essa associação tem como objetivo aproximar os produtos de luxo aos objetos de arte e tentar transferir as características peculiares destes últimos aos produtos: nobreza, altivez e atemporalidade, de certa forma, fugindo de uma imagem mercantil.


Amanhã, postaremos aqui no Blog como foi a parte final da palesta de Gilles. Ele falou sobre a importância das marcas de luxo se reinventarem e como evitar a desvalorização delas, e apresentou aos participantes o panorama atual das marcas e dos consumidores de luxo.

Texto: Eduarda Miranda (eduardagmiranda@gmail.com).
Fotos: Divulgação/Luxo Brasil.

3 comentários:

Julia Brasilico disse...

Muito legal o Rio Moda apoiar essas iniciativas! Pela resenha da para ver que a palestra foi muito boa!

Renata Rosendo disse...

Essa palestra podia vir para BH... Seria incrível!!!!

LUXO BRASIL disse...

Agradecemos Rio Moda pelo apoio e parabenizamos pelo trabalho.